Foi na época da "Nova
República", das eufóricas "esquerdas", da era Sarney... Eu
servia no Segundo Comar, em Recife, quando o Brigadeiro Castelo Branco, hoje
voando entre as estrelas dos céus, foi intempestivamente "demitido"
do Comando, por ordem dos novos donos da FAB... Como eu era seu Chefe de
Gabinete, fui "pará' em Belém do Pará... De Belém, logo outra
transferência, desta vez para Brasília, quando, revoltado, escrevi um artigo
que me proporcionou 15 dias de cadeia, sem fazer serviço... Novo castigo, nova
transferência, desta vez de Brasília para o Rio, onde dei meus últimos suspiros
na minha querida Força Aérea Brasileira. Desisti; queriam mesmo me “expulsar da
FAB; abusaram demais... Mas foi tudo por culpa minha mesmo; culpa dessa minha
alma agreste, cheia de arestas. Hoje eu só quero paz no meu coração... “Quem
quiser ser meu amigo, que me dê a mão...” rsrsr...
Chegando ao Rio, fui procurar
abrigo no cassino da Base Aérea do Galeão. Dando uma olhadinha na lista de
hóspedes, lá encontrei o nome do Corisco...:- - É neste quarto mesmo que eu vou
ficar, disse para o ”estalajadeiro”... Bati no quarto (eu trazia comigo um
violão, duas tristezas na mala e muita saudade de casa...). Corisco me recebeu
com um longo abraço:- - Mano velho, você por aqui?!-- Fiquei sabendo das
sacanagens que fizeram com você... Seja bem-vindo ao seu novo lar...
kkkkkkkkkkkkkkk e soltou uma das suas mais gostosas gargalhadas!
Corisco já estava um pouco meio
"melado" (era um domingo, à noitinha...). Perguntou se eu aceitava um
cabo, ou um sargento... (um cabo, queria dizer dois dedinhos de pinga; um
sargento... três). Não demorou muito, e já estávamos cantando as músicas do
Luís Gonzaga, músicas que ele adorava tanto! Houve uma hora em que ele não resistiu
de tanta emoção e largouo maior "Dó de Peito”:- - "Só deixo o meu
Cariri... No último pau de arara...” Hoje eu não bebo tanto quanto eu gostava
de entornar naqueles tempos. Mas naquela época, sim!-- E bota sim, nisso... Mas
eu só gostava de cerveja; ele, de bebida quente! Quentíssima! Rsrsrs. No dia
seguinte ele me fez a maior surpresa. - Entrei no quarto e dei de cara com meia
dúzia de engradados de “Pilsen Extra”!-- Dúzias e dúzias de “felicidade
engarrafada”... Um fogãozinho elétrico para fazer uns tira-gosto e um
freezer... Era o bastante pra matar minhas saudades...
Foram boas noitadas de muita
conversa e muita seresta durante o tempo em que ficamos hospedados na querida
Base Aérea do Galeão. Corisco gostava de lembrar suas hilariantes “histórias”
na Força Aérea. Uma delas foi quando ele foi buscar um caminhão no Rio para
levá-lo para Fortaleza. No pernoite em Recife, após um noitada boa no bairro
boêmio do Pina, ele acordou tarde da manhã "só de meias...":-- Levaram
tudo, mano velho... dizia morrendo de
rir...
Ele gostava muito das histórias
de Lampião:- - “Volta-Seca”, solte os presos, que o mundo já é prisão...
Corisco lembrava o velho Corisco, da turma de Lampião... Daí o porquê dele ser
mais conhecido como "Corisco", o nosso saudoso Coronel Intendente
Eraldo Correia de Lima, hoje com toda certeza gozando as delícias de morar no
céu, quem sabe até um pouco "melado", degustando os vinhos dos
Deuses, na companhia dos anjos e das mais belas virgens: brancas, louras,
negras, mulatas ou morenas, cantando hinos Gregorianos, nas suas boas noitadas
nos céus...
Espere por mim, mano velho!
Coronel Maciel.