quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Meu melhor copiloto na FAB!



Meu melhor copiloto na FAB!
No meio de tantos “pesadelos” que assolam o nosso sofrido Brasil, hoje vou lhes contar alguns dos meus mais belos sonhos, sonhos “idos e vividos”. Não sei se vocês sabem que eu só acredito em Santas e Santos que foram grandes pecadores! -- Santa Madalena, por exemplo, é minha Santa favorita! Não sei se por pura sorte, ou se por causa do meu mais puro “DNA”, que sempre me segurou durante minhas perigosas “leãozadas” na FAB; ou se foi tudo por obra e graça do meu Santo Protetor, o meu “Xará” Santo Agostinho, grande santo e pecador, depois um dos maiores santos do mundo, meu melhor anjo da guarda e meu mais audaz “copila” na FAB!
Senão, vejamos.   Quem, daqueles mais antigos, nunca pilotou o famoso Beechcraft C-45, mais conhecido como “Beech-Mata- Sete”? Eu, e o nosso saudoso Tomé Ribeiro Neto, éramos dois orgulhosos Tenentes-Aviadores, quando decolamos de Barbacena para Congonhas. Após alguns minutos de voo, “monomotor”. Regressamos. Era um dia de sábado, e a missão tinha caráter “improrrogável”. Deveríamos transportar um casal de professores vindos da França, para uma conferência na Escola Preparatória de Cadetes do Ar, para os alunos e vários convidados especiais. O próprio Brigadeiro seria tradutor. (O Camarão, além de Francês e outras línguas, falava e escrevia fluentemente o Grego).
Foi quando ele me chamou para um “particular” e bem baixinho me falou:- --“Fura – Bolo”, era assim que ele carinhosamente me chamava, pois eu, “modéstia à parte”, cumpria qualquer missão, durante o dia, ou de noite! -- Fura-Bolo, pegue o Regente e me traga eles aqui:- - Mensagem à Garcia, Brigadeiro? Ele me olhou, sorriu e confirmou com um sim, com aquela cabecinha branquinha, igualzinha à minha de hoje.
Congonhas estava naquele “abre, não abre” para voo visual; operava "instrumentos".  O Regente, vocês bem conhecem.  Pois bem: Decolei e pousei em Congonhas, para surpresa e incredulidade geral dos meus amigos e bravos Controladores de Voo! Foi quando me aparece um oficial muito mais antigo que eu para me dizer o óbvio:- - que eu havia cometido um “pecado mortal” e que por ordem superior eu estava proibido de decolar. Nestas alturas, com os franceses já a bordo, fiquei na dúvida até onde eu poderia avançar as “manetes”. Avancei, colocando no plano de voo “Operação Militar”.
Era o ano de 1967. A Revolução voava alto, distribuindo alegrias pelo Brasil inteiro! Chegamos em Barbacena bem em cima da hora para o início da tal conferência, para alegria do Camarão. -- Missão cumprida, Brigadeiro! Mas... vem "bronca" por aí. Contei-lhe tudo direitinho; ele sorriu, me agradeceu, e me despreocupou.
Hoje, à bordo do “Avião Brasil”, hoje tão mal pilotado, confesso que estou com medo que me aconteça o mesmo que aconteceu com o avião da “LaMia” 
Coronel Maciel.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Economia de palitos.



Economia de palitos.
Foi na época dos meus bons tempos na minha querida Força Aérea Brasileira, quando fui acionado para decolar “imediatamente” num Hércules C-130 do GAV-6, direto de Recife para Florianópolis; e de lá direto para Rio Branco, no Acre, transportando um helicóptero H1H, para executar o resgate de “duas vítimas” que estavam num monomotor acidentado num local de tão difícil acesso que todos os esforços com os recursos locais se mostraram insuficientes.
A aeronave acidentada estava regressando dos Estados Unidos, onde fora adquirida por um rico fazendeiro residente no interior de São Paulo; o acidente ocorrera há uns quatro dias. Fui como "observador curioso" observar o resgate feito pelo H1H.  O piloto acidentado era um jovem instrutor de voo de Aeroclube, com pouquíssima experiência de voo, e que nunca havia sobrevoado a densa floresta Amazônica.  Era a primeira vez que fazia uma viagem tão longa e tão difícil. Os dois estavam por demais abatidos, física e moralmente. Mas também, pudera: depois de passar quatro longos dias e noites sendo ameaçados por cobras, urubus, onças e jacarés; levando ferroadas de bilhões de mosquitos que os atacavam em voos de esquadrilhas por todos os ângulos, buracos e lados; um verdadeiro inferno.
A primeira coisa que o rico fazendeiros fez ao chegar são e salvo em Rio Branco, foi correr ao bar do aeroporto e pedir uma garrafa de uísque, dos bons, servindo-se de generosas doses, e perguntando-me se eu também queria saborear algumas, mas disse-lhe, brincando (na realidade eu estava também “doido” para me servir de algumas) que “quando eu ia pilotar, não bebia”...  Todos sãos e salvos, ficamos conversando, eu, o piloto e o fazendeiro. O piloto, coitado, muito novinho, procurava se desculpar de suas “falhas operacionais”, enquanto era severamente criticado pelo fazendeiro, que o acusava de ser um despreparado e haver perdido o controle, tanto de si, como da aeronave, novinha em folha; zero KM, que ficou atolada no brejo.
 Eu só fazia ouvir; mas aos poucos fui ficando do lado do acuado piloto; eles haviam ressuscitado dos infernos.
 Após o quê, me posicionei do lado do piloto, este sempre na defensiva dos ataques do fazendeiro, que era, além de muito rico, muito arrogante e autoritário. Disse-lhe, procurando aliviar a tensão, que ele se comportara como certas mulheres que erram na escolha do marido, mas acertam na escolha do amante:-- quanto mais musculoso, grosso, burro, mas bonitão, melhor... Despedimo-nos e decolei de volta para “Floripa” e Recife.
Parece que coisa semelhante, uma verdadeira metáfora aérea, aconteceu com o avião da “LaMia”:- Em vez de contratarem um avião maior, melhor e logicamente mais caro, mas voando direto de São Paulo para Medellín, não!  Parece até que os dirigentes do time da Chapecó, pressionados pela “Conmebol”, esta sempre muito “interessada” nos voos da “LaMia”, preferiram fazer uma “economia de palitos”...
Coronel Maciel.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Avião não cai!



Já falei mais de mil vezes: -- avião não cai; avião é derrubado! Assim como já falei “mais de mil vezes”:-- Façam o que eu digo; mas não façam o que eu faço! Já fiz as maiores “leãozadas” na minha querida Força Aérea; mas nunca, nas minhas mais de dez mil e uma milhas voadas, nunca arranhei nenhum dos meus lindos aviões e sempre voei com muitos “galões” a mais nos meus tanques de combustível, sempre pensando na mãe e nos filhos que ficaram em casa. Aproveito a oportunidade para lembrar a todos os pilotos “novinhos” que aviões devem ser tratados como se deve tratar todas as mulheres do mundo, sejam elas gordinhas, magrinhas branquinhas, negrinhas, louras, morenas, baixinhas ou gigantes:-- Com muito “amore”, carinho e principalmente finesse, se não a casa cai...
Esse caso do time de Chapecó precisa ser muito bem analisado, pois “ouvi dizer” que a “Conmebol” -- filiada à FIFA, Federação com inúmeros dirigentes presos por aí, envolvidos nas maiores “falcatruas -- era muito “interessada” em que o transporte dessas equipes sul-americanas de futebol fossem feitas somente pela “LaMIA”, empresa de “um só avião”, o que caiu;  assim como seria “interessante” procurar saber se a  “ANAC”, essa verdadeira “Anarquia”, ao “não autorizar” um voo direto de São Paulo para Medellín agiu dentro dos conformes, ou se não fez também algum “arrumadinho”... Tudo é possível, como dizia o Machado de Assis.
Se faço esse arrodeio todo é para “alertar” as autoridades que o “Avião Brasil” está prestes também a cair, não por falta de combustível, mas por falta de vergonha, “Avião” que  precisa urgentemente de uma troca de “tripulação”, por “aviadores” responsáveis, de mãos ágeis e competentes, civis ou até mesmo, como alguns mais afoitos desejam, pilotos “militares”...
Coronel Maciel.