Falar mais o quê? Dizer
que um dos juízes que o cara da JB diz ter no bolso vai pedir “vistas” do tal
processo que de há muito dorme no TSE? Que a “Lava Jato” só continua se os
militares quiserem? Então o melhor mesmo é relembrar... e viver! Cada pernoite,
mais uma linda história pra contar...
Meio dia em ponto; um
sol de lascar, em São Gabriel da Cachoeira, coisinha mais linda situada às
margens do majestoso ”Uaupés”, braço do meu inesquecível Rio Negro. Os
passageiros eram sempre os mesmos: freiras, freirinhas, padres, bispos, índios,
um mundão de gente ribeirinha que iam encontrar amigos e parentes, depois de
longos dias longe de casa, geralmente em tratamento de saúde em Manaus, prontos
para embarcar, na rota que nos levaria até a “Cabeça do Cachorro”, limites com
a Colômbia, quando uma voz ecoou: -- Um veado! Era um veadinho “mesmo”... O
coitado, desorientado com a perseguição de um cachorro magro, mais um dos
nossos “passageiros”, volta do meio da pista de pouso, pula a cerca que
protegia o terreno onde ficavam os barris com combustível; deu azar, bateu com
a cabeça num dos barris, quebrou o pescoço e morreu. Foi quando eu fiquei na dúvida,
se prosseguia, ou deixava tudo “pra amanhã”, já pensando num “suculento
churrasco”; mas “Ordem de Missão” é Ordem mesmo! Decolamos, mas sem antes dar “severa”
ordem de missão ao nosso amigo “Guarda Campo”: deixar “tudo pronto”, aguardando
a nossa volta. Voltamos de tardezinha; e à noite, debaixo de um céu que, de tão
estrelado, não dá para distinguir as constelações, devoramos o veadinho,
olhando ao longe o morro da “Bela Adormecida”, banhada pelo clarão da lua, e,
por que não dizer, tudo regado com muita cachaça e viola!
São tantas a
historinhas que temos pra contar...
Coronel Maciel.