quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Livro.

Livro!!

“Muita gente” por aí me perguntando “KD o livro, Maciel”? Ora, quem sou para publicar um livro, se tenho o meu BLOG para publicar tudo o que penso e quero e quando quero, livre de amarras gramaticais, com todos erros lidos e vividos, sabendo que tem milhões de livros por aí, que ninguém consegue ler? Seria mais um! São mais de mil e duzentos artigos publicados no meu BLOG www.velha-aguia.blogspot.com.br nascido em 2011, e até hoje em pleno voo, delirando por aí! Agora quem souber de alguém que queira se dar ao risco e trabalho, desde já eu autorizo, e fico muito agradecido. Agora, se publicado, não tenha eu de comparecer a nenhum tipo de “lançamento, ou coisa parecida, pois hoje em dia só ando de alpercata, bermuda e uma camisa, e só uso calça comprida quando vou à Base Aérea, obrigado a me apresentar, no mês do aniversário, se não perco o pagamento. Alguém sabe de alguém por aí, doido de se  arriscar?  kkkkkk  
Coronel Maciel.

Malária Nervosa.


Como eram fortes, amigos, fiéis, corajosos os “Dakotas” dos nossos velhos tempos na minha querida Força Aérea! E eram iguais a coração de mãe: sempre cabia mais um. Decolamos de Cururu para Jacareacanga com a garça pesadona; cheia! Em Jacaré, encheu mais ainda; lotada. Foi quando o nosso Tenente--Médico veio-me dizer que havia uma menina de uns dez anos, com “malária nervosa” e que precisava ser transportada de qualquer maneira para Santarém. Malária, como vocês sabem, tem cura; exceto a primeira...
 “Arquitetamos” uma rede no C-47 e decolamos. O calor, infernal; a umidade do ar, maior ainda, o que exigia esforço extra da velha garça, de “barriga cheia”. A criança, deitada na rede, ardia de febre. Informei Santarém que estávamos executando MMI (Missão de Misericórdia) e solicitei a presença de ambulância no pouso.
Perto de Itaituba “o médico” me comunica a morte da criança. Chamei à cabine o pai, e perguntei: - - O que é que o senhor quer que eu faça? Ele me pediu pelo amor de Deus, chorando, que eu voltasse à Jacaré, pois em Santarém seria mais um grande problema, além da sua grande tristeza.
Não tive dúvidas; cancelei a MMI, rumo inverso e regressamos à Jacaré. Era grande a tristeza dentro da velha garça. Pousamos. Dei um longo abraço no velho, e voltamos para Santarém.
Pernoitamos em Santarém, marcando a decolagem para Belém no dia seguinte, sábado, bem cedo. Quando eu fui chegando para decolar, assisti a mais hilariante das indisciplinas: o mecânico, “Sargento P.”, hoje falecido, estava completamente “ébrio”, com um papagaio no ombro, igualzinho àquele pirata do “Rum Bacardi”. O papagaio, ele havia conseguido em Cururu. Nu, da cintura p’ra cima; na mão direita uma camiseta. E, assim como um “boiadeiro levando a boiada”, ele ordenava aos atônitos passageiros que embarcassem logo, “pois o Major Maciel já está chegando”.
Decolamos. Mandei que P. fosse dar uma “cochilada” e fiquei pensando no que fazer. Após o cochilo, ele veio, assim meio sem jeito, conversar comigo. E conversamos um tempão. Não sei se foi pela morte da criança, ou quais motivos outros, mas o P. então me contou que aquela foi uma grande e infeliz recaída, pois estava em tratamento na irmandade de ajuda mútua “AA” (Alcoólicos Anônimos) em Belém, há mais de um ano, na esperança de se livrar da "Marvada Pinga". Na Ordem de Missão, eu relatei somente o caso da menina; o caso do sargento, não. O P. poderia até ser expulso da FAB, pois o Brigadeiro não iria perdoar.
Mas tudo, tudo, tudo chegava de imediato aos ouvidos do Brigadeiro. Logicamente que eu iria levar “cuidadosamente” o caso ao conhecimento do Comandante do Esquadrão, Segunda Feira, primeiro dia útil. Mas fui logo chamado para me justificar, na Segunda, bem cedo: - No caso da menina, o Brigadeiro queria saber por que eu não havia consultado o Esquadrão antes de regressar à Jacaré. Tentei explicar que não haveria tempo útil, além das conhecidas dificuldades de comunicações etc., e coisa e tal. Minha justificativa não agradou. Disse-me, irritadíssimo, entre outras coisas, que nós precisávamos deixar de pensar “que o avião era nosso”, e que havia “Ordem de Missão” para ser cumprida.
No caso do sargento eu falei que não transcrevi no Relatório de Voo porque eu achava que o caso era mais de compreensão, que de prisão; e no caso da menina, eu terminei falando que não me comuniquei com o Esquadrão porque, estivesse ou não autorizado, eu voltaria para Jacaré.
Meus “amados ouvintes”: não façam ideias erradas de mim. Sabemos muito bem dos rigorosos Estatutos e Regulamentos Disciplinares que estão aí a nos dizer o que cada um de nós é; o que cada um de nós não é; o que cada um de nós pode; e o que cada um de nós não pode.
Mas foi por essas e outras que eu costumava entrar nos Quadros de Acesso por Antiguidade; mas sempre ganhei em todos os recursos. Sempre fui promovido por Merecimento. Imaginem! Mas nunca deixei de dar este conselho aos mais “novinhos”: - - Façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço... Regulamento também é “Bom Senso”... kkkkkkk

Coronel Maciel

Sufoco, segundo tempo.

Sufoco: -- Segundo tempo...
Mas não foi tão fácil assim, com parece. Um motor voando no “máximo continuo”, todo mundo sabe, bebe muito! De modo que, quando fui transferir, eu e o mecânico, combustível do tanque da asa esquerda, asa do motor agora “embandeirado”, para alimentar o motor “amigo”, foi outro grande sufoco, pois o mesmo começou logo a tossir, a tossir e a tossir, e os passageiros, que eram muitos, rezando, diziam: “É agora”, e correram novamente p’ro fundo do avião. Teve uma hora, já quase anoitecendo, que avistei um curral cheio de bois, touros e vacas, quando falei p’ro mecânico: -- Prepara a alma que é ali que vamos pernoitar! -- Aguente firme, Major, que ainda não chagou a nossa hora! Achei melhor atender o seu pedido, aguentamos firme, pois não era essa a hora da nossa morte, amém!!!! Kkkkk

Coronel Maciel.  

Assediou, tem que transar?

Assediou, tem que transar?
Uns achando que os maiores culpados no caso da “Chapecó” foram os dirigentes, os quais, pensando “economizar palitos”, esqueceram que “o barato costuma sair caro”, neste caso muito caro, não p’ra eles, dirigentes, mas para os que morreram e hoje estão no céu, e seus parentes que ficaram chorando e “clamando por justiça”, aqui na terra.  Ou a culpa toda deve recair em cima do “piloto suicida”? Uns achando que os militares argentinos erraram ao jogar nos mares, para regalo dos tubarões, somente alguns poucos terroristas, deixando a grande maioria escapar, e que hoje transformaram a Argentina nesta merda que é hoje, igualzinho ao acontecido por aqui. Outros achando que “assediou, tem que transar”, senão a assediada, com raiva e tesuda, denuncia o coitado, p’ra ele deixar de ser “babaca”, esquecendo que, se não comer, vem um outro “mais sabido, e come”, não lhe acontecendo nada. Passaria a minha vida inteira falando sobre o que uns acham certo, e outros, errado, coisas que vem acontecendo desde aqueles velhos tempos quando Adão comeu a Eva... kkkk

Coronel Maciel.  

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Sufoco a bordo do meu corajoso Dakota C-47!

Apesar de ter feito as maiores leãozadas durante minha carreira de “Oficial Aviador”, aliás, modéstia à parte, muito mais Aviador que Oficial -- nunca, nem de leve, arranhei nenhuma das muitas e variadas e belas garças que tive o prazer de voar. Sorte delas. Graças a Deus nunca pousei sem trem, pois sempre achei que pousar sem trem é pior que perder pênalti! Esse caso do avião da “Chapecó”, p’ra mim, estou dizendo “p’ra mim, foi tudo culpa do piloto. Arriscou demais! Abusou demais da sorte. Nos meus velhos tempos, sempre colocava uns Galões a mais nos tanques, pensando nos meus, que ficaram em casa me esperando. Todo piloto tem suas histórias p’ra contar. Uma vez decolei de Carauari para Eirunepê, lá no Rio Juruá. Estávamos em condições de “voo por instrumento”, debaixo de chuvas e relâmpagos. Tudo ia bem, e já havíamos percorrido metade do caminho quando de repente sentimos fortíssima trepidação no motor esquerdo. Pá-pum-pum-pá, pum, um barulhão tremendo.  Acabara de desprender-se a cabeça de um dos enormes cilindros do motor, levando consigo parte da carenagem. E fogo, muito fogo no motor. Rapidamente executamos os procedimentos de emergência previstos, e só depois de muito custo conseguimos colocar a “bolinha no centro”, conseguindo assim estabilizar um pouco o avião, usando o regime “máximo contínuo” no outro e único motor bom. Como sempre acontece nessas tristes ocasiões, houve pânico a bordo e alguns passageiros, quase todos, correram para a parte traseira do avião, pois e lá que eles acham ser é o melhor lugar para se salvar.  
As distâncias entre as cidades na Amazônia são grandes, como grande e sinuoso é o majestoso Rio Juruá. Eu, temeroso que o motor bom não aguentasse tanto esforço, durante tanto tempo, decidi ficar sempre sobrevoando o rio, que é muito, muito sinuoso, para executar uma possível amerissagem, pois são enormes as árvores naquela região e sobre as águas havia alguma chance de sobrevivência.  Bom; agora vem a parte mais “engraçada’ e pitoresca do caso: o meu copiloto, coitado, era um segundo tenente da reserva bem novinho, e que, --pálido de espanto como nos versos do Olavo Bilac -- desmaiou, ao sentir o abraço da “bruxa” se aproximando. E desmaiou, dizendo que íamos morrer. Só ficamos eu e o mecânico para me ajudar. Quando o tenente gritou que íamos morrer, o nosso bom sargento apressou-se em abrir sua maletinha, e beber o maior gole de sua caninha preferida e sua eterna companheira.  Quando senti aquele bafo de cano na cabine, olhei-o com aquele ar de censura, quando então ele disse -- agora alegre, sem medo e bem-disposto: --Major Maciel, já que a gente vai morrer, né, e deu uma boa e estrondosa gargalhada, cheia de medo e de esperança. Tive que rir também, e juro a vocês que também senti vontade de tomar uma boa talagada. Mas a ocasião não era nada propícia. Voamos muito tempo monomotor, e como não podíamos abandonar o leito do rio, para o caso de um pouso de emergência, aquilo que seria um tempo estimado 40 minutos para chegarmos em Eirunepê, acabou se transformando numa “eternidade” de duas horas, voando a cem milhas por hora, num regime de máximo contínuo no único motor bom, sempre sentindo aquele gostoso cheirinho de cana a bordo.
Chegamos em Eirunepê bem na hora do lusco-fusco, sob os olhares da multidão que nos aguardava ansiosa no pequenino “aeroporto” da cidade, verdadeira pérola do Juruá. E o mais engraçado de tudo é que fui carregado pela multidão de passageiros, como um verdadeiro herói nacional. À noite, o prefeito nos ofereceu suculenta “tartarugada” e fez até um discurso em minha homenagem, pois sua   família inteira estava a bordo. Foi quando eu chamei o nosso mecânico para um particular e “ordenei-lhe” que, agora sim! -- me servisse um copo cheio da sua santa, gloriosa e salvadora caninha.  kkkkkk.

Coronel Maciel.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Avião não cai; avião é derrubado!

                    Avião não cai; avião é derrubado!

Não digo cem por cento, mas quase, os acidentes em aviação são causados, principalmente, por falhas dos Pilotos! Em aviação só o perfeito é aceitável, já dizia o Santos Dumont; outra, em aviação, errar é “desumano”.

 A não ser alguns “felizardos” que voavam o “Aero-Lula”, depois “Aero-Dilmão”, agora “Aero-Temer”, e os jatinhos do GTE, sempre prontos para decolar, levando as mais altas autoridades em passeios “p’ra lá e p’ra cá”, os pilotos da FAB estão fazendo mais horas no solo, “escrevinhando”, que horas de voo, diferentemente daqueles nossos velhos tempos, quando fazíamos muito mais horas de voo, e, logicamente, eram muito mais os “derrubados”. Embora, considerando, que naqueles nossos velhos tempos havia muito mais pilotos tipo “Melo-Maluco” como eu e muitos outros. Vejamos agora e rapidamente o caso do “Avião-Brasil” nas mãos de pilotos incompetentes, mãos de vaca, entrando em parafuso chato, cheio de bandidos com as cuecas cheias de “dólares” ocupando as melhores poltronas, avião num mergulho fatal rumo ao desconhecido, mas, mesmo que brasileirinhas e brasileirinhos como eu, chorem, rezem, implorem a Deuses e Orixás para que “os melhores pilotos do mundo”, assumam os “Comando” da grande garça abatida, eles continuem olhando o avião pegando fogo, caindo, derrubado, mas sempre  se recusando a fazê-lo,  dizendo -- Não, Não e “Não!”--  Militares Nunca Mais... kkk
Coronel Maciel.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Torne-se um "Ás da Aviação'!

Macetes para quem quiser se tornar...

Não basta um piloto ter dez, quinze, vinte mil horas de vôo, para ser considerado um bom piloto. Não! -- Muito mais importante; o que realmente interessa é que na hora “H”, na hora do alerta vermelho, na hora do perigo, o “olho da bruxa aceso”, ele mantenha a calma, mantenha o sangue frio. Da mesma forma que não adianta nada fazer mil pousos perfeitos, os chamados “pousos manteigas”, aqueles que os passageiros mais “adoram” e batem palmas com vontade, dando vivas ao comandante! Mas o primeiro pouso errado, o primeiro “vacilo”, pode ser o fatal!
E melhor ainda: - - Que ele saiba contornar, que saiba evitar o perigo. Saiba contornar os grandes CB’s que “passeiam”, às vezes de mãos dadas nas frentes intertropicais.  E que ele seja competente! Competente sempre; sempre competente! E que mantenha esta competência mesmo quando resolva, por exemplo, “forçar ponto crítico” num procedimento de descida por instrumentos, optando por um perigoso “cisco”, que é um voo baixo, rasante, em condições meteorológicas adversas, obrigado muitas vezes a fazê-lo por circunstâncias alheias à sua vontade. Tomada esta decisão, o piloto não pode mais tremer. -- Se tremer, vai morrer...
É muito fácil voar. E com céu azul, com céu de brigadeiro, até minha vovozinha voa, e voa bem, ainda mais hoje, com a ajuda desses incríveis “Avionics”. Já voei com pilotos bonitões, fortões, olhos azuis, adorados pelas mulheres, rsrsrs, mas que na hora do perigo, na hora de “fogo no motor”, o olho da bruxa aceso, amarelavam, para não dizer coisa pior.  Hoje já temos mulheres pilotando aviões da FAB, e comandando aviões comerciais; mas não sei como elas se comportariam quando (estou brincando, hein!) aparecer alguma barata tonta na cabine! Os mecânicos, coitados, suavam, quando eram escalados para voar com “certos pilotos”. Na FAB havia (não sei se hoje ainda) pilotos conhecidos como “antiaéreos”. Acredito que em outras Forças Aéreas também.
Em qualquer profissão existem os bons e os maus profissionais. Estudam muito, se esforçam muito, dão tudo de si, mas nunca se convencem que não nasceram para a profissão que escolheram. Entre os médicos neurocirurgiões, ou de olhos, por exemplo, existem aqueles conhecidos pelos colegas como “mãos de vaca...” kkkkkk

Coronel Maciel.