quarta-feira, 30 de novembro de 2011

TORTURADOS E TORTURADORES.

Amigo meu, velho amigo desde os saudosos tempos de aluno de “BQ”, hoje na reserva com suas merecidas “quatro estrelas”, me lembrando de que faltou eu enfatizar “o estranho fato de nenhum dos ‘torturadores’ ter ficado rico”. Realmente, amigo velho, há uma enorme diferença entre eles; uma diferença maior que o abismo existente entre anjos e demônios. Os “torturadores” tinham as chaves do cofre... Mas nenhum deles; nenhum dos nossos generais de 64 soube meter “a mão no cofre”, como dizem que a dona Dilma meteu no cofre do Ademar... Entraram pobres e saíram pobres... Mais que pobres.

Alguns malditos “sanguessugas”; alguns pilantras aproveitadores souberam enricar durante os áureos tempos da “ditadura”. O Sarney foi um deles. O Sarney... O hoje dono da capitania hereditária do Maranhão... -- Mas eram civis; não eram “milicos da gema”. Não eram homens forjados no aço! -- Não quero dizer com isto que todos os civis que nos acompanharam se portaram como o Sarney e alguns outros que todos nós conhecemos.

Os piores “torturados” eram aqueles que se escafederam no exterior; nas universidades chilenas; nas da França, na época do socialista Mitterrand, quando aproveitaram para se especializar em fazer “lavagem cerebral”, e muitos estão aplicando até hoje esta maldita técnica nos nossos inocentes estudantes universitários; principalmente os da USP...

Mas vejam bem o que aconteceu com a nossa querida VARIG, a pioneira. Naqueles tempos, nos áureos tempos da VARIG, alguns tripulantes foram “cooptados” e transportavam para os coitadinhos exilados na Europa tudo o que eles queriam: cartas, revistas, jornais, ingredientes para uma boa feijoada, cachaça da boa, tudo, tudo, tudo, mas principalmente “segredos”; segredos altamente secretos... “Dólares” roubados dos bancos... Foi nessa época que começaram os assaltos a bancos, feitos por muitos desses terroristas que hoje nos governam...

 Mas vejam como são as coisas; como o destino é cruel. Muitos desses exilados voltaram e hoje -- ocupando os mais altos cargos no governo corrupto da dona Dilma -- estão pouco ligando para o drama que alguns desses tripulantes hoje estão sofrendo, com a queda desastrosa do grande avião que era VARIG; triste queda que levou consigo tanto os bons como os “maus tripulantes”; muitos deles  hoje “passando fome”. Do alto a queda é grande...

Mas, porém, contudo, todavia ricos são os pobres – como os nossos “cruéis torturadores” que nem beliscões sabiam dar -- que sabem ser felizes com o pouquinho que ainda lhes restam... rsrsr.

Coronel Maciel.


terça-feira, 29 de novembro de 2011

DEVOLVA, CONY!

Quantos brasileiros ficaram ricos, famosos e muito agradecidos por terem sido perseguidos pela “ditadura”? -- Quantos? -- Quantos hoje dão graças a Deus por terem sido “torturados”? – Quantos? -- Dona Dilma é um dos melhores exemplos.  Carlos Heitor Cony é outro; Cony recebeu dos cofres públicos uma indenização de um milhão e meio por ter sido -- diz ele -- um dos mais “perseguidos” e recebe uma pensão vitalícia mensal de mais de vinte e três mil, tudo livre de imposto de renda!

Mas ó aqui, meu caro Cony – pessoa que eu considero como um dos melhores da nossa literatura, figurante da nossa eclética Academia Brasileira de Letras, onde toma o seu “chá das cinco” o Sarney acompanhado do seu “Marimbondo de Fogo”... -- Só os tolos acreditam em escritores “consagrados”, como o Sarney... – Mas ó, meu “caro” Cony: você sabe muito bem que o Brasil está cheio de “artistas”; são jornalistas; pseudojornalistas, os metidos a jornalistas, os piadistas, os caricaturistas, uma gama enorme de outros sortudos que também “enricaram” graças aos “anos de chumbo”... Não foi só você, não! -- Tudo graças aos “bons tempos da ditadura”.

Mas há também os que se diziam “perseguidos”, mas que renunciaram a vender suas almas ao diabo. Os que reconhecem alguns erros cometidos num passado adolescente. -- Parabéns, Gabeira! -- A grandeza de sua alma não é contagiosa, mas que ela sirva de exemplo aos outros -- “O que é isso, companheiro”-- que ainda vivem de favores e que por isso ficaram prisioneiros dos que lhe deram essas vis indenizações. E que eles devolvam esse ouro podre de volta aos bandidos, pois não alcança perdão quem retém o produto desse dinheiro roubado do faminto povo brasileiro.

Cony; não sei qual a razão do ódio que você tinha (ainda tem?) pelos generais que lhe puniram pelo “simples fato” de você haver sido enquadrado no artigo da Lei de Segurança Nacional que punia os criminosos da pátria; que punia os traidores da pátria... – Você sabe muito bem que aqueles generais, como os generais de hoje, sempre se identificaram com os ideais da pátria; sempre e para sempre se identificarão com Deus e com a invencível verdade! – Pelos enormes cuidados que todos eles e como todos nós temos pela nossa pátria amada Brasil.

Devolva, Cony, esse ouro que você recebeu de volta aos bandidos, pois como já disse não alcança perdão os que retém o produto de crimes contra os sagrados destinos da nossa querida Pátria Amada Brasileira!

Coronel Maciel.


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O CASO DE UM FUGITIVO DA JUSTIÇA BRASILEIRA.

Quem nunca foi deve ir logo, correndo, voando antes que acabe... Vá logo conhecer uma das regiões mais lindas do Brasil, que é a fronteira do Brasil com a Guiana Francesa; a divisa é feita pelo caudaloso Rio Oiapoque. Na sede do município havia um Pelotão de Fronteira, onde pernoitávamos. Era um dos vários Pelotões que apoiávamos, com os nossos valorosos Dakotas, os “gigantes” C-47... Apoio total, do Oiapoque ao distante Guaporé...


Foi numa dessas travessias feitas numa "voadeira" que -- desviando-se das perigosas pedras que se escondiam nas suas águas negras -- nos levava para compras “domésticas” em “Saint George”. Uma garrafa de bom vinho francês, perfume para fazer média com a madame; queijos, e outros inocentes “contrabandos”... Os colonos franceses, na grande maioria composta de cidadãos negros, a não ser os militares que serviam naquela pequena cidade, não conseguiam entender o que era inflação, pois lá não existia isto; os preços eram sempre os mesmos, mas em francos. Eram pagos regiamente pelo governo francês para viverem numa boa vida por lá, mas bem longe do conforto e das delícias de Paris. Eles também vinham fazer suas pequenas compras do lado brasileiro.


Pois bem; foi numa dessas travessias, conversando sobre a distante cidade de Natal, que um senhor se aproximou de mim e me falou que era natalense, mas que agora estava morando assim meio escondido por aquelas bandas...  Mas que sentia imensa falta de seus amigos e familiares que moravam em Natal. Na realidade ele era um fugitivo da justiça. Pediu-me para uma conversa reservada, e me contou o seu  caso, caso que tem muito a ver com esse tal “Kit Gay” que andam querendo distribuir pelas nossas escolas; foi assim:-- Ele matou um traficante em Natal que havia viciado e seduzido sexualmente um filho seu de menor idade. -- Da primeira vez, me disse ele, mandamos o menino para fazer um tratamento no Rio; na volta, após o tratamento, foi novamente provocado e seduzido, quando então resolvi matar o filho da puta...  E por isso agora vivo assim, fugindo da nossa cega justiça... À noite continuamos a conversa num bar, onde ele me contou muitos outros detalhes do caso. E só me contou por que ficou sabendo na conversa que conhecia a família da minha mulher, que é também natalense.


Fiquei comovido e fiquei logo do seu lado, dizendo a ele que, se quisesse, eu poderia falar com o Comandante do Pelotão, meu amigo e velho conhecido, que com certeza lhe daria todo apoio naquela sua triste condição de vida. Caso contrário, eu seria obrigado a lhe dar voz de prisão, disse brincando... (Será que eu tinha mesmo que lhe dar voz de prisão?).


Estou contando este caso, pois com certeza “meu crime” já prescreveu, pois lá se vão mais de 30 anos. Contei o caso ao Capitão comandante do pelotão, que também aceitou ser “cúmplice”... Voltei para Belém, e nunca mais fiquei sabendo o final daquela triste história, daquele triste drama...


Sou contra a pena de morte, a não ser em casos assim...


Coronel Maciel





domingo, 27 de novembro de 2011

UM FORTE NO "INFERNO VERDE".

A floresta Amazônica lá embaixo; imenso mar-verde, com milhões e milhões de árvores enormes espalhando sombras para bilhões de insetos e animais silvestres, dificultando a nossa navegação, pois, alguns rios, riachos, igarapés constantes nas cartas de navegação aérea WAC estavam também encobertos pelas sombras. O que seria de nós, se fossemos obrigados a um pouso forçado naquele verdadeiro inferno verde?


Naqueles tempos, tempos da aviação romântica, aviação de arco e flecha, sem o auxílio desses fabulosos GPS, como era fácil os pilotos se perderem naquela imensidão. Muito mais difícil era “se achar” depois...


Estávamos indo de Manaus para Forte Príncipe da Beira, transportando uma comitiva do Exército. Ao chegarmos, com o general sentado na cadeira do copiloto, ficamos sobrevoando aquele Forte, construído nos últimos anos do século XVIII; e fiquei imaginando como foi possível trazer as cantarias de Belém, rios acima; os canhões de bronze, as pedras, pois naquelas margens do Rio Guaporé não há pedras; que tarefa titânica; sem paralelo; sem a Comara, a Comissão para Construção de Aeroportos na Região Amazônica; sem os nossos possantes cargueiros Hércules C-130; enfrentando as febres equatoriais; enfrentando as arremetidas dos castelhanos; porém nada conseguiu impedir que brasileiros e portugueses, de mãos dadas, levassem a cabo este incrível empreendimento da história da nossa colonização...


Pousamos e fomos recebidos pelo Tenente Comandante do Pelotão. No almoço, uma grande surpresa: -- Como o Tenente havia conseguido aquelas pedras? -- Pedras que serviam de piso, num improvisado "restaurante" nas margens do rio Guaporé...


No almoço, fomos servidos com uma suculenta tartarugada... Foi quando o General começou a ficar vermelho, com justificado assombro, quando o Tenente informou que havia tirado aquelas pedras "daquele Forte, ali abandonado"... -- E estas tartarugas? -- Não sabe que está proibida a pesca? Foi aquele silêncio geral e desconfortável... Tentando aliviar a situação do embaraçado Tenente, eu disse ao general que, se nós não pegássemos as tartarugas, os Bolivianos, do outro lado do rio, iriam se fartar, sozinhos...:- - Explica, mas não justifica... -- Vou levar este fato ao conhecimento do general Figueiredo, meu colega de turma, meu amigo particular, e haveremos de restaurar este Forte; aliás, ele é o único quadro, pintado a óleo, que existe no meu Gabinete...: -- Uma ótima idéia, General, disse eu tentando aliviar as tensões, mas meio desconfiado e temeroso de levar também uma boa “mijada”...


No dia seguinte decolamos para visitar outros Pelotões de Fronteiras. Durante o vôo fiquei imaginando como é dura a vida naqueles longínquos Pelotões de Fronteiras...


Coronel Maciel.

sábado, 26 de novembro de 2011

BOLSONARO E DONA DILMA.

Não sei o que dona Dilma fez para o Bolsonaro “baixar o pau” na pobre sem dó nem piedade e logo no plenário da Câmara Federal para todo mundo ver... Muito cuidado, Bolsonaro; desse jeito elles vão acabar cassando o teu mandato, e nós ficarmos órfãos de um dos nossos mais corajosos artilheiros.  Eu mesmo não tenho dúvidas quanto as preferências sexuais da dona Dilma, assim como não me importo em saber as preferências sexuais de ninguém, sejam eles padres, cardeais, ministros, deputados, senadores ou até mesmo do diabo, que costuma se esconder nas entranhas das mais belas mulheres ... Acho até aceitável, para não dizer lindo, os amores daquelas ninfas mitológicas; duas ninfas lindas se amando, olhos nos olhos, seios nos seios, hein?... -- Mas dois “ninfos”, não! -- Já imaginaram dois ninfos, barrigudões, peludões, se beijando, se amando, se abraçando, hein? – Não, não. -- Essa, não!

Bolsonaro, presta bem atenção. Assim como o Lulalá e seus quarenta mil ladrões conseguiram com ilusórias bolsas-esmolas um curral eleitoral de 60 milhões de votos de inocentes brasileirinhos, quem sabe dona Dilma não esteja também querendo atrair os votos de nem sei quantos milhões de inocentes e saltitantes gays por esse Brasilzão à fora?... -- Agora o que eu acho péssimo e até muito criminoso é querer transformar nossas crianças em futuros gays, com a distribuição desses tais “Kit’s-Gay” nas nossas escolas; aí também já é sacanagem demais -- não é, dona Dilma?

Agora, mudando de pau pra cacete, essa mancha negra da Chevron parece que veio sobrepor-se a mancha negra que envolve todo o governo Dilma; não se fala mais em ministros corruptos. Parece até que tudo voltou ao “normal”...

Vou terminar porque hoje é sábado e meus amigos e amigas me esperam nessas nossas infinitas praias ensolaradas “geladas”, caranguejos, camarões, moquecas de peixe com cachaça e muita viola, que ninguém é de ferro... kkkkkkkkkkkkk.

Coronel Maciel


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

É PRECISO SABER VIVER...

Lembro como se fosse hoje; foi no dia 27 de novembro de 1957 quando o nosso Comandante, o Brigadeiro Sinval de Castro e Silva Filho reuniu todos os alunos da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, para nos contar os horrores vividos durante a madrugada da Intentona Comunista de 1935. --“Eu estava lá”, nos dizia emocionado o velho Comandante. Os anos foram passando e hoje também já velho recebo um convite do Presidente do Clube Militar para participar das homenagens às vítimas daquele massacre. Não vou poder ir; estou longe do Rio; mas estarei presente, se não de corpo, mas de alma; de minh‘alma comovida.

Muitos me odeiam, têm “raivinha” de mim em razão dos meus artigos; chamam-me  de “quadradão”; reacionário. Ora, se ser anticomunista é ser reacionário, então sou um grande “reaça”... Mas não sou “reaça” tipo aqueles que veem comunistas em todos os lugares, até debaixo da cama; não. Tenho até amigos comunistas; mas são comunistas sentimentais, idealistas; não comunistas assassinos tipo Fidel Castro e seus filhotes que hoje nos governam. Não. Não sou “automaticamente” anticomunista; não! Não sou tão burro nem tão quadrado assim. Mas quando vejo tantos irmãos cubanos que foram e continuam sendo fuzilados nos paredóns cubanos; quando vejo o Che-Guevara fuzilando de uma “porrada só” mais de 600 cubanos; ou quando ficamos sabendo que lá nos montes Urais da Rússia, na madrugada de 17 de julho de 1918, um comissário comunista mandou reunir rapidamente toda a família real e, falando para o Czar, lê a sentença de morte, que teve o chamegão do próprio Lênin. O ex-soberano mal teve tempo de perguntar:- - “O quê?”, quando o pelotão de fuzilamento começou a atirar...  Minutos depois estavam mortos numa poça de sangue Nicolau II, sua mulher, Aleksandra, o herdeiro do trono Aleksei, suas irmãs Olga, Tatiana, Marie e Anastásia. Morreram também um médico, três serviçais e um cachorro da família. Mas as meninas continuavam vivas... As balas ricochetearam em suas roupas. Os assassinos tiveram que acabar o serviço com baionetas... Durante a “Intentona Comunista”, na madrugada do dia 27 de novembro de 1935, os comunistas também mataram covardemente vários dos nossos heróis que dormiam na antiga Escola de Aviação, no Campo dos Afonsos.

Não sei se os nossos atuais Comandantes poderão comparecer às solenidades programadas; acredito até que gostariam de ir; mas com certeza receberão ordens em contrário da dona Dilma, a Presidenta. Ora, assim como devem ser leais e obedientes à dona dos nossos destinos, deveriam ser muito mais leais e obedientes aos nossos heróis do passado... E com certeza esquadrilhas dos nossos aviões receberão também ordens para permanecer “nos calços”, impedidos de decolar daquele mesmo “Campos dos Afonsos” para sobrevoar o local da solenidade; ou que sejam disparados tiros de canhões do Exército ou das nossas belonaves ancoradas na Guanabara, tiros capazes de serem ouvidos pelos nossos heróis assassinados, envoltos em seus lençóis e chorando nos seus túmulos.

É preciso saber viver...

Coronel Maciel.


terça-feira, 22 de novembro de 2011

A VELHICE VERGONHOSA. SEGUNDA PARTE...

Moreira Lima comandou a Base Aérea de Santa Cruz até quando houve o que ele considera como o “Golpe de 64”. Ora -- como todo militar disciplinado deve ser -- ele tinha por obrigação ser também leal ao Presidente da República, na época o João Goulart.  Como leais e disciplinados devem ser os nossos atuais comandantes para com dona Dilma... Quando um comandante achar que não deve mais ser leal ao presidente, ou à “presidenta”, ele deve “pedir as contas” e ir cantar em outro terreiro...

Moreira lima sabia que muitos dos seus pilotos, a maioria, talvez uns 70%, eram, digamos, favoráveis ao “golpe”... Quando o Comandante do Grupo de Caça, obedecendo ordens do Comandante da Base, reuniu seus pilotos, colocando-os de prontidão e mandando armar os aviões, tenho a certeza absoluta que sua intenção não era atacar as tropas revolucionárias, mas sim  qualquer reação a elas...  

-- “Me puseram nesse fogo”. -- Mas tive a felicidade de ver esses rapazes se manterem disciplinados a mim... Muitos desses ”rapazes” a quem o Rui se refere são -- e tenho orgulho de dizer -- meus colegas de turma, Aspirantes-Aviadores da turma de 62, formados no já lendário “Campo dos Afonsos”.

Moreira Lima tinha pleno conhecimento da revolução que se aproximava. Sabia que Jango começou a cair no “Comício da Central”, quando ele o foi assistir à paisana, como simples cidadão, tendo ficado preocupado, para não dizer apavorado, com os termos agressivos dos discursos, discursos que assustavam a classe média conservadora brasileira. Uma semana antes do “31 de março”, diz o Rui,  a sua Base sofreu ameaças de invasão de oficiais de outras unidades. -- “Eles estavam doidos para me criar problemas”... – Os chefes, como o Castello Branco e toda sua gente, na realidade não faziam nada; eram uns pândegos... Falavam muito e só faziam fofocas... – Quem fez mesmo a revolução foi o Mourão Filho. Os oficiais golpistas de Aeronáutica queriam tomar a minha Base porque era a única que podia reagir, pois era a que tinha realmente a força; a força dos nossos aviões. – Assumi a defesa e mandei prender todo mundo...

Moreira Lima reconhece que havia muita indisciplina nas Forças Armadas. E que por falta de comando aqueles sargentos do “Levante de Brasília” começavam a ocupar espaços...

Eu particularmente sempre fui contra politicagem nos quartéis. Moreira Lima promovia palestras políticas na sua Base, levando gentes como Osvaldo Lima Filho, João Pinheiro Neto, para falar sobre reforma agrária, um tema quente e muito solicitado na época. Convidava dom Hélder Câmara, o famoso Bispo Vermelho, para falar sobre Jesus Cristo, sobre Cristianismo, mas com uma visão socialista (ou comunista?) pura... – Mas nunca houve deslizes, a não ser a prisão de dois oficiais que achavam que aquilo não era certo, e que eu não devia incentivar conferências políticas dentro da Base... – Enquadrei os dois com oito dias de prisão para cada um... Eles não reclamaram, nem recorreram; eram dois garotos que resolveram me enfrentar, e se deram mal... A questão da hierarquia é fundamental, nos diz o Rui, que respeito pela sua idade e pelas suas muitas missões de guerra enfrentando de peito aberto as poderosas artilharias antiaéreas dos alemães nos céus da Itália.

Coronel Maciel.